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Artigo com professores da UFPA sobre preservação de biodiversidade aquática é publicado em periódico internacional

Artigo com professores da UFPA é publicado em periódico internacional

O artigo, publicado no famoso periódico “Journal of Applied Ecology”, é fruto de uma iniciativa abrangente que busca aumentar a colaboração dos pesquisadores brasileiros em distintas áreas, além de solucionar problemas da conservação da biodiversidade.

Data: 17/06/2020

Professores do Laboratório de Ecologia e Conservação (LABECO) da Universidade Federal do Pará (UFPA), se uniram à outras 25 instituições de pesquisa para avaliar os riscos que atingem a biodiversidade aquática de riachos no Brasil. O artigo, publicado no famoso periódico “Journal of Applied Ecology”, é fruto de uma iniciativa abrangente que busca aumentar a colaboração dos pesquisadores brasileiros em distintas áreas, além de solucionar problemas da conservação da biodiversidade.

As plantações, a pecuária e a urbanização, embora sejam essenciais para a sociedade, comprometem serviços ecossistêmicos vitais fornecidos pelos ambientes de água doce, como o controle de enxurradas e de doenças, a purificação da água e o fornecimento de alimento.

Uma estratégia adotada em muitos países é a proteção de faixas de vegetação nativa no entorno de riachos, rios e lagos, abrangendo as zonas de vegetação ripária. No Brasil, essas reservas são chamadas de Áreas de Preservação Permanente (APPs).

De acordo com o Dr. Renato B. Dala-Corte, pesquisador de Pós-Doutorado na Universidade Federal de Goiás, “Proteger a vegetação ripária, isto é, a vegetação presente em espaços próximos a corpos da água, é a chave para manter os ecossistemas de água doce saudáveis e para proteger a biodiversidade. O que nós não sabíamos é se poderíamos recomendar um tamanho único de reserva ripária que aumentasse a proteção da biodiversidade ao mesmo tempo que permitisse práticas comuns de uso do solo no restante da paisagem”, afirma o professor.

O artigo - intitulado “Thresholds of freshwater biodiversity in response to riparian vegetation loss in the Neotropical region” foi produzido por 50 pesquisadores de 26 instituições e explorou a região Neotropical, uma das mais ricas do mundo em termos de ambientes de água doce. A iniciativa para aumentar a colaboração entre pesquisadores e solucionar problemas sobre a biodiversidade, partiu do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), financiado pelo Governo Federal (CNPq) e Estadual de Goiás (FAPEG).

O estudo concluiu que não existe um valor único de largura de vegetação ripária que pode garantir que os ecossistemas aquáticos não irão sofrer mudanças de biodiversidade devido às pressões de uso do solo. Esse resultado tem implicações diretas sobre o manejo de reservas ripárias (APPs), porque as regulamentações e leis implementadas nos distintos países usam um único tamanho para limitar o uso do solo em escala nacional, sem levar em consideração particularidades regionais ou o tipo de atividade antrópica.

“Para o Brasil, um país de escala continental, faz sentido que um tamanho único não sirva para tudo, o que sugere que muitos ecossistemas aquáticos no país estejam próximos ou já tenham ultrapassado os limiares que levam a perdas abruptas de espécies”, conclui o pesquisador.

Evidências sugerem que quanto maior as reservas ripárias, menor é o risco de ultrapassar os limiares que levam a declínios de biodiversidade aquática. Isso significa que quase qualquer alteração na área de 50 metros no entorno dos riachos já é suficiente para desencadear grandes mudanças na biodiversidade aquática.

Os autores concluem que os indicadores biológicos mais sensíveis podem ser usados como sinais precoces que alertam o risco de aproximação de mudanças abruptas nos ecossistemas aquáticos. O estudo ainda indica a necessidade de políticas adicionais para a proteção de grandes reservas ripárias na região Neotropical, as quais devem considerar o contexto regional na formulação dos regulamentos e promover incentivos aos proprietários de terras particulares para conservarem largas áreas ripárias.

Maiores informações e o acesso ao artigo pode ser realizado direto no link da revista: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1365-2664.13657

 

 

Texto: Elizandra Ferreira

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