Webmail | Acessibilidade
Redes Sociais
Chocolate Amazônico - Projeto avalia técnicas para beneficiamento do cacau de várzea

Chocolate Amazônico - Projeto avalia técnicas para beneficiamento do cacau de várzea

Segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), em 2020, a produção do fruto no estado foi de 144.663 toneladas, o equivalente a 52% da produção nacional.

Data: 03/04/2021

Durante o mês de abril, os chocolates ganham maior projeção, e venda, nas prateleiras de lojas e supermercados. E a produção do cacau, matéria prima do chocolate, segue sendo liderada pelo Pará. Segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), em 2020, a produção do fruto no estado foi de 144.663 toneladas, o equivalente a 52% da produção nacional.

Mas é no cacau nativo, ou cacau de várzea, aquele que ocorre nas ilhas de várzea dos rios amazônicos, que se debruçam as pesquisas de um projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus de Tomé-Açu. O projeto é coordenado pelas professoras Socorro Progene e Maria Trindade, e a intenção é testar os diferentes tipos de beneficiamento primário, compreendendo qual a diferença da aplicação de diversas técnicas na qualidade do produto final, proporcionando uma melhoria na produção ribeirinha.

De acordo com a professora Socorro Progene, o cacau de terra firme é plantado de modo convencional, com irrigação e adubação na maioria dos cultivos. Já o cacau de várzea cresce na floresta, entre outras árvores, sem adubação e adaptado ao regime das águas. Ela explica que a forma de fazer a colheita, a quebra, a fermentação, secagem, o armazenamento e o transporte do fruto podem influenciar no produto final.

“A fermentação, por exemplo, afeta diretamente o teor de açúcar e o sabor, por conta das reações químicas que ocorrem no produto. Dependendo do tamanho dos cochos (caixotes de madeiras), que é onde ocorre a fermentação, podemos ter influência no tempo de armazenamento do produto e perda organoléptica, ou seja, alteração no sabor do produto, cheiro, textura. Então nós fizemos cochos de vários tamanhos, para testar qual o melhor resultado, e assim conseguir repassar essa informação aos ribeirinhos”, explica a pesquisadora.

As atividades do projeto são realizadas com produtores de várzea da Fazenda Tocantins, no município de Mocajuba. Além de incentivar uma produção sustentável, a intenção, segundo a pesquisadora, é conseguir estabelecer protocolos para conseguir uma melhor qualidade do produto final, criando um guia de beneficiamento de cacau de qualidade para cacau nativo de várzea, atendendo à Normas Internacionais de qualidade do cacau comercial (ICCO)

“Também vamos verificar grau de acidez, neutralidade, alcalinidade. O cacau tem grandes efeitos preventivos e curativos, é muito bom para o nosso organismo, então nós também precisamos verificar se a produção está mantendo ou perdendo essas características”, explica.

Embora as atividades estejam temporariamente paradas por conta da pandemia do coronavírus, e ainda existam entraves para conseguir uma maior comercialização desse produto, as expectativas são grandes. “Nossa intenção é proporcionar que o ribeirinho tenha renda a partir do produto, para que as pessoas não precisem sair dos seus locais de origem em busca de oportunidades de emprego. Queremos criar um selo de qualidade, conseguir futuramente qualificar 180 famílias de Mocajuba e de Cametá”.

De acordo a professora, entre as vantagens do cacau de várzea é que ele não contém aditivos químicos.  “São os rios que trazem os macro e micro nutrientes, as amêndoas se espalham naturalmente e vão nascendo novas árvores, e também é possível pensar em viveiros. O processo do cacau de várzea é todo natural, por isso os produtos feitos a partir da fruta são muito cobiçados pelo mercado internacional. Com o cacau nada se perde, é possível fazer chocolate, sabonete, doces e vários produtos”, explica. 

A intenção é que a partir do projeto os produtores de amêndoas possam acessar nichos específicos, com o intuito de valorar e inserir o “Cacau da Amazônia” em mercados de primeira linha. “O mercado de cacau orgânico, comércio justo, cacau fino e de aroma na agricultura familiar e em assentamentos rurais, produção sem desmatamento, produto da Amazônia. Além de agregar as amêndoas de cacau à possibilidade de pagamento de prêmios de comercialização, crescimento da produção, agregação de valor. Tudo isso poderá representar melhoria na qualidade de vida e incremento financeiro para esses produtores, além de promover a ressignificação da memória e a identidade cultural dos povos ribeirinhos”, afirma.

 

 

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom UFRA.

Foto: arquivo Socorro Progene

Enviar por email

Deixe seu Comentario

Veja também

SIG AMAZÔNIA

Links úteis +

Produtos +